O SILMARILLION – J.R.R. TOLKIEN

By Anônimo - maio 19, 2021


O presente livro é a maior pérola de J.R.R. Tolkien, segundo a opinião do próprio autor. O Silmarillion começou a ser redigido por volta de 1917 em forma de notas esparsas sobre mitologia da Terra-Média, ao qual, Tolkien colhia informações e realizava anotações sobre os dias antigos da Terra-Média, durante a Primeira Era do Mundo. A título de curiosidade, em O Hobbit e O Senhor dos Anéis são relatos dos últimos dias da Terceira Era.

Acima apontamos que esta é a maior pérola do autor e, isto se deve as inúmeras tentativas deste em publicá-lo conjuntamente com O Senhor dos Anéis, ainda que em função disso Tolkien tenha perdido inúmeras oportunidades de publicar esta última obra separadamente. Tolkien não viu em vida O Silmarillion publicado, posto que a primeira edição do presente livro ocorreu quatro anos após o falecimento do autor.

Outro ponto curioso é fato de que Tolkien nunca conseguiu em vida terminar a obra, O Silmarillion publicado 1977 é fruto do esforço de Christopher Tolkien, filho do autor, em reunir em um único livro as inúmeras anotações deixadas por J.R.R. Tolkien, motivo este que inúmeras partes apresentam incongruências geográficas entre a narrativa e a série de mapas constantes no final do livro.

Ainda, sobre a atividade criativa do presente livro, Tolkien era um Católico cativo, contudo, não admitia alusões as figuras bíblicas como o amigo CS Lewis se valia, motivo este que em O Senhor dos Anéis não há representação religiosa, como pondera Ives Grandra. Nesse sentido, Michael White na obra J.R.R. Tolkien Senhor da Fantasia pondera:

Um dos aspectos mais surpreendentes da mitologia de Tolkien é que, como as antigas tradições nas quais se baseava, ela descreve um mundo destituído de cristianismo. A Terra-Média é um mundo que, em linguajar cristão, havia “caído em desgraça”, mas não havia se redimido.

Data vênia, mesmo respeitando a posição anteriormente apresentada, ousamos discordar e, juntamente com as ponderações do Padre Paulo Ricardo, nos posicionamos baseado segundo as informações contidas nas primeiras páginas de O Silmarillion, ao qual, narra a história de criação da Terra-Média: no princípio havia Eru, o único, inicialmente este cria os Ainur e os propõe temas musicais. Entre os Ainur há Melkor, o mais poderoso dos Ainur, e este apresenta uma dissonância musical em relação ao tema proposto por Eru, consequentemente, alguns dos Ainur segue Melkor e se rebelam ao tema musical de Eru. Desta dissonância é criado Arda (mais conhecida como Terra-Média).

Havia Eru, o Único, que em Arda é chamado de Ilúvatar. Ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por seu pensamento, e eles lhe faziam companhia antes que tudo o mais fosse criado. E eles lhes falou, propondo-lhes temas musicais; e eles cantaram em sua presença, e ele se alegrou. Entretanto, durante muito tempo, eles cantaram cada um sozinho ou apenas alguns juntos, enquanto os outros escutavam; pois cada um compreendia apenas aquela parte da mente de Ilúvatar da qual havia brotado e evoluía devagar na compreensão de seus irmãos. Não obstante, de tanto escutar, chegaram a uma compreensão mais profunda, tornando-se mais consoantes e harmoniosos.

Assim, vislumbra-se logo no primeiro parágrafo a figura divina de Ilúvatar, ou Eru, verifica-se ainda a existência de Anjos, os Ainur. Desta forma, é impossível não correlacionar esta parte preliminar de O Silmarillion com as bases do Cristianismo, tais como visto em Genesis na Bíblia. Logo, não estamos em um mundo destituído de divindade, mas tão só decaído.

Vale lembrar que a obra em análise começou a ser redigida em 1917, mas, como apontado alhures, não foi concluída em vida pelo autor. A isto podemos ponderar acerca das influências da Primeira e Segunda Guerra Mundial na construção da Terra-Média, já que Tolkien fora para o front de batalha na primeira guerra e, na segunda fazia parte de um grupo responsável pela observação dos céus em Oxford, com fito de avisar a população quanto aos bombardeios aéreos que sofria a Inglaterra todas as noites enquanto pendurava a Guerra.

Seguindo, como o ilustre leitor pode observar, trata-se de um livro complexo e relativamente extenso, de redação truncada, onde a maior virtude está na grande quantidade de informação sobre o universo criado pelo autor, o que, por si, torna a leitura pesada e demorada. Como apontado alhures, não é fruto de uma obra acabada e lapidada, mais a junção de textos esparsos.

No mais, pode-se observar que O Silmarillion é o ponto de partida de quase a totalidade de livros de Tolkien. Dentro dele há capítulos sintéticos ao qual o Autor posteriormente publicou livros desenvolvendo com maior riqueza de detalhes, tais como Beren e Luthien, O Ferreiro do Bosque Grande e Os filhos de Húrin.

Trata-se de obra obrigatória para os fãs e simpatizantes de John Ronald Reuel Tolkien, além de ótima dica de leitura para entusiastas com os livros O Hobbit e a trilogia de O senhor dos Anéis. Em O Silmarillion se encontrará em riqueza de detalhes toda a fundamentação da Terra-Media, sua história. Trata-se de um dos maiores livros de fantasia já publicados, ponto de partida para um mundo novo, cativante e inspirador.

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